História Original: O Pecado Da Liberdade

O Pecado Da Liberdade - Capitulo 4

 Arena




Uriel não sabia quanto tempo havia se passado desde que havia despertado naquela escuridão opressora. No inferno, o tempo se distorce de maneiras estranhas, tornando impossível distinguir minutos de horas. O silêncio sufocante ao redor dele foi quebrado abruptamente quando o som de passos ecoou pelo corredor sombrio

pa, pa, pa— Então,  de repente sons de passos começaram a ecoar naquele lugar – pa pa pa – os passos estavam vindo em direção a ele.

—  ku ku ku... olha só o que temos aqui! Nosso novato já está acordado e parece pronto para a batalha. —  Da escuridão, surgiu um demônio alto, de pele verde e musculosa, com várias cicatrizes cruzando seu rosto. Sua presença era imponente, e Uriel pôde sentir a força daquele ser irradiando como uma chama selvagem..

Uriel analisou aquele individuo que acabou de chegar – Esse cara... Ele é muito forte! Julgando por sua aparência e aura, creio que seja um demônio menor.

— O que você quer — Uriel perguntou em um tom ríspido. Ele já estava cansado das pessoas zombado dele.

— Ku ku ku  parece que temos um novato energético aqui, mas me pergunto quanto tempo essa energia toda vai durar — O demônio  disse sarcasticamente. —

"— Ouvi dizer que você é uma alma que despertou uma habilidade única, o que é um feito digno de elogios. Afinal, habilidades únicas conseguem exercer cinco vezes mais poder que a aura total de seu usuário. Um poder formidável nas mãos certas. Ku ku ku.

— Dito isso, espero que nos divirta, pelo seu próprio bem. Ku ku ku — o demônio riu maliciosamente.

 

— O  que você quer dizer com isso, demônio?  E aonde esta aquela vadia que me trouxe aqui?- Uriel perguntou com seus olhos queimando em uma fúria silenciosa.

— Bem... bem, acho que, como você é um novato aqui, posso explicar algumas coisas. Normalmente, eu não faria isso, mas já que você tem uma habilidade única, pode ter algum valor no futuro. Ku ku ku — o demônio claramente estava se divertindo com a situação.

— Bem, antes de mais nada, meu nome é Brain, garotinho, e é senhor Brain para você. E quanto ao que eu quis dizer com isso? Basicamente, a partir de agora, você vai lutar todos os dias em nossas arenas de batalha para entreter nossos convidados! E no futuro, se conseguir ficar mais forte, poderá ingressar em nosso exército e dedicar sua vida à Lady Emily... Isso, é claro, se você sobreviver. Ku ku ku. Não é um futuro glorioso, novato?

— Tenho certeza que sim, eu não poderia querer nada melhor — Uriel respondeu sarcasticamente.

—  Ku ku ku, gosto do seu senso de humor, vai precisar dele aqui!  —

— Ah, é! E quanto à sua última pergunta, quem te trouxe aqui foi Lady Sify; ela é um demônio maior. Se você quer um bom conselho, novato, é melhor esquecer-se dela, se sabe o que é bom!

As palavras de Brain confirmaram que o velho prisioneiro já havia dito antes. Uriel sabia que naquele momento qualquer ato de rebeldia seria suicídio. Ele observaria, aprenderia, e quando a oportunidade surgisse, fugiria daquele lugar infernal. Jamais seria escravo novamente. Mas quanto a  Sify... Ele teria que seguir o conselho do Brain, pelo menos por enquanto. Uriel não era forte o bastante para enfrentar um demônio maior ainda.

— Agora chega de conversa, vamos! — O demônio agarrou as correntes que prendiam Uriel e o arrastou a força.

Quando Uriel saiu daquela prisão e chegou ao coliseu, ele se deparou com uma atmosfera horripilante.

Ele se deparou com uma atmosfera horrível. O cenário diante dele era aterrador: uma arena vasta, cheia de demônios que gritavam, riam e ansiavam por sangue. O ar estava impregnado de um cheiro de morte e desespero, enquanto as chamas das tochas dançavam nas paredes de pedra, projetando sombras grotescas. Ele podia sentir os olhos de centenas de criaturas fixas nele, ávidos por ver o espetáculo.

 

 

 

 

O ar estava pesado, saturado pelo cheiro de enxofre e sangue seco, enquanto o rugido das multidões de demônios ecoava pelas arquibancadas do coliseu. O céu acima era um mar de chamas turvas, lançando uma luz avermelhada sobre a arena de pedra negra, coberta de cicatrizes de batalhas antigas. No centro, um grupo de almas corrompidas aguardava. Esse grupo era formado por diversas raças, entre elas, vampiros, goblins, súcubos, elfos e humanos, seus olhos brilhando com a agonia e o desespero de quem não tem mais esperança.

O público, demônios de várias castas e formas, gritavam e se agitavam em suas cadeiras, colocando suas apostas com entusiasmo cruel. As gargalhadas e os gritos eram uma trilha sonora caótica para o que estava prestes a acontecer.

No meio dos combatentes, uma alma corrompida se destacava. Seu corpo era muito pequeno e cheio de cicatrizes, músculos deformados e ossos à mostra, cobertos por uma pele fina e translúcida que pulsava com veneno. Seus olhos, verdes frios como o gelo, moviam-se freneticamente, analisando os outros combatentes ao seu redor. Não havia aliados ali. Não havia misericórdia. A única opção era sobreviver.

— Esse lugar... não é feito apenas para diversão. Quando almas lutam intensamente até a morte, elas se tornam mais fortes e, consequentemente, ocorre uma evolução. Isso vale tanto para os demônios quanto para os anjos e seres vivos da Terra. Esse processo se dá por causa do refinamento da alma causado pela aura.

 Neste mundo, existe uma energia universal conhecida como Energia Natural, que, ao entrar em contato com a alma de um ser sapiente, é convertida em aura. A aura é o resultado da conversão de Energia Natural em energia da alma. Ela tende a fluir em conjunto por todo o corpo, produzindo uma grande massa de energia imperceptível para a maioria dos seres vivos.

Ao colocar essas almas em constante sofrimento e perigo de 'morte', eles desejam que essas almas passem por um processo de refinamento e, consequentemente, de evolução. Transformando uma alma corrompida em um diabrete, assim aumentando o número de seu exército.

Para eles, não importa quantas almas pereçam, até porque elas sempre voltam mais tarde, mesmo que demore um século ou dois. Assim, eles têm um suprimento inesgotável de soldados. Afinal, é um fato bem conhecido que, exceto por habilidades únicas e específicas, os únicos que podem 'matar' uma alma no Inferno são os anjos, com sua aura celestial.

Enquanto Uriel estava em meio a pensamentos profundos os competidores estão se preparando para a luta inevitável.

 

 O som do gongo reverberou pela arena, trazendo Uriel de volta ao presente de forma abrupta. Sua mente, até então imersa em reflexões sobre os demônios e sua conspiração aberta, agora se focava na sobrevivência. Ele sabia que cada segundo a partir daquele momento seria decisivo. Ele olhou ao redor, avaliando rapidamente os outros competidores que se posicionavam, suas expressões uma mistura de desespero e ferocidade.

Uriel foi o primeiro a agir. Expandindo sua aura para fora do corpo, ele usou uma técnica chamada En, que é basicamente a criação de um domo de aura. Dentro do domo, o usuário pode sentir a presença, os movimentos e a forma de tudo e todos, obtendo onisciência sobre seus arredores. No passado, essa foi uma das técnicas que Uriel mais treinou, apresentando um gasto mínimo de aura para utilizá-la.

No momento que Uriel expandiu sua aura, os outros também o fizeram, uns com mais proficiência do que outros. Alguns mal conseguiam manter a técnica ativa.

O demônio pequeno e envenenado no centro da arena chamou sua atenção. Seus olhos verdes pareciam frios e calculistas, como se estivessem esperando o menor erro de qualquer um ali para atacar sem piedade. As palavras de Brain ecoavam em sua mente: "Você vai lutar todos os dias. Se sobreviver poderá ingressar no exército... e servir lady Emily por toda vida."

 — Eu não sabia o que esperar dos meus adversários, então decidi ativar minha habilidade única: Adapt. Quando ativo essa habilidade, gasto 30% da minha aura. Essa habilidade única me permite adaptar a qualquer fenômeno, sejam eles habilidades únicas, venenos, estilos de combate, etc., desde que eu tenha tempo e aura suficientes para pagar o custoSempre que ativada e em contato com a habilidade inimiga, automaticamente ela começa a adaptação.  O tempo para que isso ocorra varia, dependendo da complexidade da habilidade e de seu poder bruto. —  

A tensão da arena pesava como uma sombra sobre Uriel, cada batida do coração um lembrete de que qualquer hesitação poderia custar sua vida. Ele respirou fundo e sentiu sua aura enfraquecer enquanto sua habilidade "Adapt" se ativava. 30% de sua energia já haviam sido sacrificados, mas isso era um preço pequeno a se pagar pela chance de sobreviver àquele confronto.

O demônio no centro da arena observava os competidores com frieza, seu olhar buscando fraquezas. Uriel percebeu que seria imprudente atacar logo de início. Não conhecia as habilidades de seus adversários e precisava ganhar tempo para que o "Adapt" começasse a trabalhar. Seu corpo sentiu uma leve mudança, como se estivesse começando a calibrar seus sentidos para os perigos ao redor.

A arena, iluminada por chamas esverdeadas, parecia distorcer a realidade ao redor. Cada movimento era calculado, cada respiração pesada. Uriel estava consciente de que a qualquer momento o pequeno demônio venenoso poderia fazer seu primeiro movimento.

"Seja paciente," pensou Uriel, enquanto seu olhar varria o campo de batalha. Ele sabia que seu maior trunfo era sua habilidade de adaptação, mas, para isso, precisava observar seus inimigos de perto, entender seus padrões e se preparar para o que viesse.

O som de lâminas se cruzando ecoou pelo espaço quando o primeiro golpe foi desferido entre dois competidores mais próximos, mas Uriel se manteve imóvel, observando com En ativado nada poderia escapar de sua detecção.. O demônio envenenado se movia com leveza, seus olhos fixos em sua próxima presa. As palavras de Brain voltaram à mente de Uriel, um lembrete do que estava em jogo.

"Servir lady Emily pelo resto da vida…" ele murmurou para si mesmo. A vida de um soldado não era sua primeira escolha, mas entre morrer na arena e viver para lutar mais um dia, a escolha parecia clara.

Nesse momento, o duende fixou os olhos em Uriel e decidiu agir. Com extrema velocidade e frieza no olhar, ele avançou com tudo contra seu inimigo. Uriel viu tudo isso acontecer com sua percepção aguçada e se preparou para uma luta difícil, mas que certamente venceria... Não havia outra opção! 


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Autor: Felipe Ferreira




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