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História Original: O Pecado Da Liberdade
Postado por
Felipe Ferreira
em
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Decisão
A arena fervilhava de expectativa quando o duende venenoso
avançou na direção a Uriel com uma velocidade impressionante. O corpo deformado
do demônio se move de maneira quase sobrenatural, cada passo um borrão em meio
à luz trêmula das chamas esverdeadas. Seus olhos verdes, frios e calculistas,
fixaram-se em Uriel, que, por sua vez, manteve sua postura firme, sem recuar.
Uriel, com sua habilidade única já ativa, sente as mudanças
sutis em seu corpo. Ele podia perceber o ritmo de sua respiração alterando-se
levemente, seus músculos se ajustando ao ambiente. Cada movimento ao seu redor
era captado pelo En , sua aura expandida detectando cada alteração mínima
no fluxo de energia ao seu redor. Os outros competidores lutaram ferozmente
entre si, mas ele sabia que sua luta imediata era com o duende.
O pequeno demônio venenoso não era para ser subestimado. Seu
corpo pulsava com um liquido tóxico que Uriel conseguia sentir mesmo a alguns
metros de distância, e ele sabia que um golpe daquele veneno poderia ser muito
prejudicial a ele naquele momento, mesmo que não o matasse por causa da sua
alta resistência a venenos e sua habilidade única, ele era potente o suficiente
para paralisa-lo por alguns segundos, o que naquele momento, seria o mesmo que
a morte.
O duende tinha quase
tanta aura quanto ele, tornando a tarefa de se defender ainda mais difícil. Conforme o duende se aproximava, Uriel
analisou rapidamente sua movimentação. Era errática, mas extremamente eficiente
— um padrão difícil de prever. Ainda assim, sua habilidade única já estava
começando a trabalhar, ajustando sua percepção para acompanhar a velocidade
insana de seu oponente.
No momento em que o duende saltou para atacar, Uriel girou
avançando o corpo, evitando a adaga venenosa que passou raspando. O golpe foi
forte o suficiente para passar pela defesa de Uriel, mesmo que de raspão,
infectando levemente o seu corpo com o forte veneno fazendo seu corpo começasse
a queimar levemente. A quantidade minúscula que foi injetada em Uriel não era o
suficiente para derruba-lo e logo seu corpo se adaptaria, mas o fato que o
duende chegou tão perto de mata-lo era inquietante.
" Eu preciso de mais tempo ", pensou Uriel.
Ele sabia que sua habilidade era a chave para vencer essa batalha, mas
simplesmente protelar o combate não seria nada fácil.
O duende, frustrado por ter errado, não hesitou em investir
novamente, desta vez com uma fúria ainda maior. Ele disparou várias investidas
rápidas, alternando golpes venenosos com sua adaga e cortes com suas garras
afiadas. Uriel bloqueou alguns dos ataques com dificuldade, mas, a cada segundo
que passava, ele podia sentir seu corpo se adaptando, sua aura se tornava
mais flexível e ele estava se acostumando
com a velocidade e o padrão de ataque do duende.
De repente, Uriel viu uma oportunidade. Durante uma das
investidas do duende, ele calculou o movimento e, ao invés de apenas desviar,
avançou. Usando sua aura de maneira precisa, Uriel agarrou o braço do demônio,
ignorando a dor do veneno que queimou sua pele, e com um movimento rápido,
jogou-o contra o chão da arena.
O impacto foi devastador. O corpo do duende colidiu com
força contra as pedras negras, emitindo um grunhido de dor. Centenas de
demônios nas arquibancadas rugiram de felicidade diante da brutalidade do golpe
e do sofrimento que o duende demonstrou, sem qualquer simpatia por ele. Seus
gritos de júbilo ressoavam por todo o coliseu
— Ku ku ku... Parece que você tem mais talento do que imaginei
— murmurou Brain, observando de um canto da arena com um sorriso malicioso. Ele
apreciava o espetáculo tanto quanto qualquer outro ali.
Uriel não perdeu tempo. Ele sabia que o veneno ainda estava
aceso em seu corpo, mas também sabia que sua habilidade já havia feito boa
parte do trabalho. Com sua aura fluindo e sua adaptação quase completa, ele se
sentiu mais confiante. O duende, por sua vez, estava enfraquecido, mas ainda
não derrotado. Seus olhos verdes brilhavam com ódio enquanto ele se levantava
pronto para continuar a luta.
A batalha estava longe de terminar, mas Uriel sabia que, se
continuasse a lutar com a mesma determinação, sairia vitorioso. E talvez, num
futuro próximo, ele conseguisse escapar dali e frustrar os planos desses
malditos demônios.
O duende venenoso cambaleou por um momento, o corpo
deformado recuperando o equilíbrio, mas sua fúria era palpável. Ele não
deixaria Uriel vencer tão facilmente, mesmo que estivesse ferido. Seu corpo
pulsava com um brilho esverdeado, como se estivesse concentrando toda a sua
energia em um último ataque devastador. A multidão vibrava de antecipação,
desejando ver mais sangue.
Uriel, por outro lado, estava em alerta máximo. A sua
habilidade única já havia feito seu trabalho, e ele agora se sentia mais
resistente ao veneno que o pequeno demônio emanava. Sua aura estava fluindo de
forma controlada, e ele conseguia sentir os movimentos sutis do oponente à sua
frente, cada intenção, cada respiração irregular.
“ Esse próximo ataque será decisivo ”, pensou Uriel,
enquanto observava o duende se preparar. O pequeno demônio mudou sua postura,
abaixando o corpo como uma fera tenta a saltar sobre a presa. Havia algo
diferente em sua aura agora, mais intensa, mais letal. Era como se ele
estivesse concentrando tudo em uma investida final.
Os outros competidores ao redor estavam ocupados em suas
próprias lutas, mas nenhum parecia interessado em se envolver diretamente com
Uriel e o duende. Eles sabiam que qualquer distração poderia ser mortal, e a
maioria estava tentando sobreviver ao caos da arena. O som de carne e metal se
chocando ecoava no ar, mas Uriel estava focado apenas em seu inimigo.
De repente, o duende avançou. Sua velocidade era muito maior
agora, como um borrão venenoso movendo-se em um frenesi. Uriel mal teve tempo
de reagir, seus instintos tomando o controle. Ele usou sua técnica para
sentir o fluxo do movimento e se esquivou no último segundo, sentindo o vento
venenoso passar por ele.
Mas o duende não parou. Com uma agilidade surpreendente, ele
girou no ar e atacou novamente, desta vez de cima, suas garras brilhando com
veneno corrosivo. Uriel usou o braço para bloquear, canalizando sua aura em um
escudo de energia que absorveu parte do impacto, mas o golpe ainda o jogou para
trás.
" Esse veneno está ficando mais forte ",
Uriel notou, sentindo a dor se espalhar pelo braço, mesmo com sua resistência
aprimorada. O duende estava forçando sua adaptação ao limite.
— Desgraçado... — murmurou Uriel, com os dentes
cerrados. O duende riu de forma perversa, seus olhos brilhando com sadismo,
como se já tivesse vencido.
Mas Uriel ainda tinha um último trunfo.
Sua adaptação à velocidade e força do duende estava completa,
agora era a hora de ir para ofensiva. Respirando fundo, ele concentrou a aura
restante ao redor de seu corpo, era a hora de usar o que sobrou da sua aura
para terminar essa luta de uma vez por todas.
O duende avançou novamente, mas desta vez Uriel estava
preparado. Ele avançou ao encontro do demônio venenoso, ignorando a dor em seu
corpo. Com um movimento rápido, ele se abaixou e desviou do golpe letal do
duende, aproveitando a abertura para atacar com um soco direto com força total no
peito do demônio.
O impacto foi devastador. O pequeno corpo do duende foi
jogado para trás, batendo violentamente contra as pedras da arena. A multidão
rugiu em aprovação, seus gritos de emoção reverberando pelo coliseu. Uriel,
ofegante, se preparou para o próximo movimento, mas notou algo estranho. O
duende não se levantou.
O corpo do demônio jazia imóvel no chão da arena, seu peito
afundado pelo golpe brutal. O veneno que antes pulsava de sua pele agora se
dissipava lentamente no ar, como uma névoa tóxica. Naquele momento Uriel sentiu
uma sensação estranha percorrendo sua alma, ele sentiu que ela estava muito
perto de passar por uma metamorfose, mas por enquanto ele ia deixar esse
assunto pra depois, o importante agora e que ele havia vencido!
A arena ficou em silêncio por um breve momento, como se o
público estivesse absorvendo a vitória repentina de Uriel. Então, de repente, um
rugido ensurdecedor ecoou pelas arquibancadas. Os demônios aplaudiam e gritavam
em êxtase, apreciando o espetáculo.
De repente um gongo soou pelo coliseu e então Uriel escutou
a voz de Brain.
— Ku ku ku... Parece
que temos alguns sobreviventes hoje! — a voz de Brain cortou o som da
multidão. Ele estava sentado nas sombras, olhando tudo com um sorriso cínico. —
Parabéns, novato. Você sobreviveu ao
seu primeiro dia na arena. Mas não se acostume... As coisas só ficam mais
difíceis daqui pra frente.
Uriel não respondeu. Ele sabia que aquilo era apenas o
começo. A arena era um campo de batalha brutal, onde apenas os mais fortes
sobreviviam. Ele precisa ser inteligente, se adaptar mais rápido, e crescer
mais forte se quiser sair daquele lugar algum dia.
Enquanto as portas da arena se abriam para os sobreviventes,
Uriel sentia novamente o peso das correntes em seus pulsos. Sua vitória não
ofereceu liberdade, mas sim mais batalhas, mais sofrimento. Mas ele havia
aprendido uma lição importante na luta: ele poderia vencer, e mais importante,
ele não estava sozinho em sua busca pela liberdade. Havia outros escravos,
outros seres dispostos a lutar e sobreviver. Talvez, com o tempo, ele
encontrasse uma maneira de escapar daquele inferno.
Mas por enquanto, Uriel sabia que precisaria de mais força,
mais controle sobre sua habilidade Única
e, acima de tudo, mais paciência. A
liberdade viria, eventualmente. E
quando viesse, ele estaria pronto.
Com uma última olhada para o corpo imóvel do duende, Uriel
se virou e caminhou em direção à saída, seus pensamentos já focados na próxima
luta.
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