História Original: O Pecado Da Liberdade

O Pecado Da Liberdade: Capitulo 5

 Decisão 



A arena fervilhava de expectativa quando o duende venenoso avançou na direção a Uriel com uma velocidade impressionante. O corpo deformado do demônio se move de maneira quase sobrenatural, cada passo um borrão em meio à luz trêmula das chamas esverdeadas. Seus olhos verdes, frios e calculistas, fixaram-se em Uriel, que, por sua vez, manteve sua postura firme, sem recuar.

Uriel, com sua habilidade única já ativa, sente as mudanças sutis em seu corpo. Ele podia perceber o ritmo de sua respiração alterando-se levemente, seus músculos se ajustando ao ambiente. Cada movimento ao seu redor era captado pelo En , sua aura expandida detectando cada alteração mínima no fluxo de energia ao seu redor. Os outros competidores lutaram ferozmente entre si, mas ele sabia que sua luta imediata era com o duende.

O pequeno demônio venenoso não era para ser subestimado. Seu corpo pulsava com um liquido tóxico que Uriel conseguia sentir mesmo a alguns metros de distância, e ele sabia que um golpe daquele veneno poderia ser muito prejudicial a ele naquele momento, mesmo que não o matasse por causa da sua alta resistência a venenos e sua habilidade única, ele era potente o suficiente para paralisa-lo por alguns segundos, o que naquele momento, seria o mesmo que a morte.

 O duende tinha quase tanta aura quanto ele, tornando a tarefa de se defender ainda mais difícil.  Conforme o duende se aproximava, Uriel analisou rapidamente sua movimentação. Era errática, mas extremamente eficiente — um padrão difícil de prever. Ainda assim, sua habilidade única já estava começando a trabalhar, ajustando sua percepção para acompanhar a velocidade insana de seu oponente.

No momento em que o duende saltou para atacar, Uriel girou avançando o corpo, evitando a adaga venenosa que passou raspando. O golpe foi forte o suficiente para passar pela defesa de Uriel, mesmo que de raspão, infectando levemente o seu corpo com o forte veneno fazendo seu corpo começasse a queimar levemente. A quantidade minúscula que foi injetada em Uriel não era o suficiente para derruba-lo e logo seu corpo se adaptaria, mas o fato que o duende chegou tão perto de mata-lo era inquietante.

" Eu preciso de mais tempo ", pensou Uriel. Ele sabia que sua habilidade era a chave para vencer essa batalha, mas simplesmente protelar o combate não seria nada fácil.

O duende, frustrado por ter errado, não hesitou em investir novamente, desta vez com uma fúria ainda maior. Ele disparou várias investidas rápidas, alternando golpes venenosos com sua adaga e cortes com suas garras afiadas. Uriel bloqueou alguns dos ataques com dificuldade, mas, a cada segundo que passava, ele podia sentir seu corpo se adaptando, sua aura se tornava mais  flexível e ele estava se acostumando com a velocidade e o padrão de ataque do duende.

De repente, Uriel viu uma oportunidade. Durante uma das investidas do duende, ele calculou o movimento e, ao invés de apenas desviar, avançou. Usando sua aura de maneira precisa, Uriel agarrou o braço do demônio, ignorando a dor do veneno que queimou sua pele, e com um movimento rápido, jogou-o contra o chão da arena.

O impacto foi devastador. O corpo do duende colidiu com força contra as pedras negras, emitindo um grunhido de dor. Centenas de demônios nas arquibancadas rugiram de felicidade diante da brutalidade do golpe e do sofrimento que o duende demonstrou, sem qualquer simpatia por ele. Seus gritos de júbilo ressoavam por todo o coliseu

— Ku ku ku... Parece que você tem mais talento do que imaginei — murmurou Brain, observando de um canto da arena com um sorriso malicioso. Ele apreciava o espetáculo tanto quanto qualquer outro ali.

Uriel não perdeu tempo. Ele sabia que o veneno ainda estava aceso em seu corpo, mas também sabia que sua habilidade já havia feito boa parte do trabalho. Com sua aura fluindo e sua adaptação quase completa, ele se sentiu mais confiante. O duende, por sua vez, estava enfraquecido, mas ainda não derrotado. Seus olhos verdes brilhavam com ódio enquanto ele se levantava pronto para continuar a luta.

A batalha estava longe de terminar, mas Uriel sabia que, se continuasse a lutar com a mesma determinação, sairia vitorioso. E talvez, num futuro próximo, ele conseguisse escapar dali e frustrar os planos desses malditos demônios.

O duende venenoso cambaleou por um momento, o corpo deformado recuperando o equilíbrio, mas sua fúria era palpável. Ele não deixaria Uriel vencer tão facilmente, mesmo que estivesse ferido. Seu corpo pulsava com um brilho esverdeado, como se estivesse concentrando toda a sua energia em um último ataque devastador. A multidão vibrava de antecipação, desejando ver mais sangue.

Uriel, por outro lado, estava em alerta máximo. A sua habilidade única já havia feito seu trabalho, e ele agora se sentia mais resistente ao veneno que o pequeno demônio emanava. Sua aura estava fluindo de forma controlada, e ele conseguia sentir os movimentos sutis do oponente à sua frente, cada intenção, cada respiração irregular.

Esse próximo ataque será decisivo ”, pensou Uriel, enquanto observava o duende se preparar. O pequeno demônio mudou sua postura, abaixando o corpo como uma fera tenta a saltar sobre a presa. Havia algo diferente em sua aura agora, mais intensa, mais letal. Era como se ele estivesse concentrando tudo em uma investida final.

Os outros competidores ao redor estavam ocupados em suas próprias lutas, mas nenhum parecia interessado em se envolver diretamente com Uriel e o duende. Eles sabiam que qualquer distração poderia ser mortal, e a maioria estava tentando sobreviver ao caos da arena. O som de carne e metal se chocando ecoava no ar, mas Uriel estava focado apenas em seu inimigo.

De repente, o duende avançou. Sua velocidade era muito maior agora, como um borrão venenoso movendo-se em um frenesi. Uriel mal teve tempo de reagir, seus instintos tomando o controle. Ele usou sua técnica para sentir o fluxo do movimento e se esquivou no último segundo, sentindo o vento venenoso passar por ele.

Mas o duende não parou. Com uma agilidade surpreendente, ele girou no ar e atacou novamente, desta vez de cima, suas garras brilhando com veneno corrosivo. Uriel usou o braço para bloquear, canalizando sua aura em um escudo de energia que absorveu parte do impacto, mas o golpe ainda o jogou para trás.

" Esse veneno está ficando mais forte ", Uriel notou, sentindo a dor se espalhar pelo braço, mesmo com sua resistência aprimorada. O duende estava forçando sua adaptação ao limite.

Desgraçado... — murmurou Uriel, com os dentes cerrados. O duende riu de forma perversa, seus olhos brilhando com sadismo, como se já tivesse vencido.

Mas Uriel ainda tinha um último trunfo.

Sua adaptação à velocidade e força do duende estava completa, agora era a hora de ir para ofensiva. Respirando fundo, ele concentrou a aura restante ao redor de seu corpo, era a hora de usar o que sobrou da sua aura para terminar essa luta de uma vez por todas.

O duende avançou novamente, mas desta vez Uriel estava preparado. Ele avançou ao encontro do demônio venenoso, ignorando a dor em seu corpo. Com um movimento rápido, ele se abaixou e desviou do golpe letal do duende, aproveitando a abertura para atacar com um soco direto com força total no peito do demônio.

O impacto foi devastador. O pequeno corpo do duende foi jogado para trás, batendo violentamente contra as pedras da arena. A multidão rugiu em aprovação, seus gritos de emoção reverberando pelo coliseu. Uriel, ofegante, se preparou para o próximo movimento, mas notou algo estranho. O duende não se levantou.

O corpo do demônio jazia imóvel no chão da arena, seu peito afundado pelo golpe brutal. O veneno que antes pulsava de sua pele agora se dissipava lentamente no ar, como uma névoa tóxica. Naquele momento Uriel sentiu uma sensação estranha percorrendo sua alma, ele sentiu que ela estava muito perto de passar por uma metamorfose, mas por enquanto ele ia deixar esse assunto pra depois, o importante agora e que ele havia vencido!

A arena ficou em silêncio por um breve momento, como se o público estivesse absorvendo a vitória repentina de Uriel. Então, de repente, um rugido ensurdecedor ecoou pelas arquibancadas. Os demônios aplaudiam e gritavam em êxtase, apreciando o espetáculo.

De repente um gongo soou pelo coliseu e então Uriel escutou a voz de Brain.

Ku ku ku... Parece que temos alguns sobreviventes hoje! — a voz de Brain cortou o som da multidão. Ele estava sentado nas sombras, olhando tudo com um sorriso cínico. — Parabéns, novato. Você sobreviveu ao seu primeiro dia na arena. Mas não se acostume... As coisas só ficam mais difíceis daqui pra frente.

Uriel não respondeu. Ele sabia que aquilo era apenas o começo. A arena era um campo de batalha brutal, onde apenas os mais fortes sobreviviam. Ele precisa ser inteligente, se adaptar mais rápido, e crescer mais forte se quiser sair daquele lugar algum dia.

Enquanto as portas da arena se abriam para os sobreviventes, Uriel sentia novamente o peso das correntes em seus pulsos. Sua vitória não ofereceu liberdade, mas sim mais batalhas, mais sofrimento. Mas ele havia aprendido uma lição importante na luta: ele poderia vencer, e mais importante, ele não estava sozinho em sua busca pela liberdade. Havia outros escravos, outros seres dispostos a lutar e sobreviver. Talvez, com o tempo, ele encontrasse uma maneira de escapar daquele inferno.

Mas por enquanto, Uriel sabia que precisaria de mais força, mais controle sobre sua habilidade Única e, acima de tudo, mais paciência. A liberdade viria, eventualmente. E quando viesse, ele estaria pronto.

Com uma última olhada para o corpo imóvel do duende, Uriel se virou e caminhou em direção à saída, seus pensamentos já focados na próxima luta.

 



Autor da Obra: Felipe Ferreira


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