História Original: O Pecado Da Liberdade

O Pecado da Liberdade - Capitulo 1

Sinopse: Uma alma acabou no Inferno graças à loucura de um homem, e agora terá que sobreviver e encontrar seu propósito neste novo 'mundo'.





 CAPITULO 1


O FIM DE UMA VIDA


O Inferno se estendia como um deserto árido, com areias negras refletindo uma luz vermelha e opressiva. O calor era insuportável, e o ar estava repleto de lamentos e gritos de almas torturadas que, lentamente, se transformavam em demônios, perdendo sua humanidade. Criaturas grotescas vagavam por esse território decadente, onde a depravação era a norma. Demônios celebravam rituais de prazer e dor, regidos pelos sete pecados capitais, cada um dominando seu próprio domínio, alimentando-se das fraquezas das almas.

Em meio a esse cenário desolado, um corpo desmaiado estava coberto por areia negra.  Uriel, um jovem de estatura media com cabelos pretos e olhos violetas que brilhavam com uma intensidade única acordou, tossindo e confuso. "Onde diabos estou? Preciso respirar e me acalmar." Ele se agachou, tentando recuperar a memória. Aos poucos, lembranças dolorosas voltaram: "Porra! Aquele filho da puta me usou como escudo!" A raiva fervia dentro dele.

A história de Uriel começou na infância, como órfão em um orfanato. Um homem misterioso, Vincet, ofereceu vantagens em troca de crianças com habilidades especiais. Uriel possuía a rara capacidade de adaptação, um poder que o tornaria uma arma definitiva nas mãos certas. Vincet o explorou em experimentos, buscando vingança contra seus inimigos.

Vincet acreditava que armas não precisavam de emoções. Em busca desse ideal, fez Uriel cometer inúmeras atrocidades, tudo em nome da criação da "arma perfeita", como gostava de chamar. Mas, um dia, um de seus inimigos mais temidos o encontrou: Islaifer, o dragão dos céus, um dos soberanos daquele mundo.

O dragão não teve piedade de Vincet e, com um único sopro de chamas devastadoras, pretendia eliminar aquela praga. Aterrorizado com a morte iminente, Vincet usou Uriel como escudo. A força do dragão foi imensa, e Uriel morreu instantaneamente.

A alma de Uriel foi levada aos portões do julgamento, onde seria avaliada por suas ações em vida pela entidade máxima que controlava o pós-vida, conhecida como o Tribunal Vivo. Mesmo que grande parte de sua vida tivesse sido controlada por Vincet e que as ações malignas que cometeu tenham sido contra sua vontade, isso não importava. Ele foi julgado culpado pelo Tribunal e enviado direto ao Inferno para pagar por seus pecados.

Uriel se levantou, seus músculos ainda doíam como se a morte tivesse marcado cada célula de seu corpo. Ele olhou ao redor, tentando conter sua raiva e entender o caos ao qual fora lançado. As areias negras sob seus pés ardiam como brasa, mas ele não se queimava. Talvez porque já estivesse morto, ou talvez porque já pertencesse àquele lugar. O cheiro de enxofre invadiu suas narinas, e os gritos das almas atormentadas ecoavam ao longe, misturando-se ao vento cortante.

Ele deu um passo, sentindo o peso das lembranças. Vincet, Islaifer e até mesmo o Tribunal. Nada disso importava mais. O que restava agora era sobreviver... se é que havia sobrevivência no Inferno.





Autor da Obra: Felipe Ferreira



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