História Original: O Pecado Da Liberdade

O Pecado Da Liberdade - Capitulo 3

 Capitulo 3



Desespero e Resolução 

Uriel abriu os olhos de repente, com um suspiro profundo e ofegante. Ele não sabia quanto tempo havia passado desde que desmaiou, mas o lugar onde estava agora parecia ainda mais desolado. O ar ao seu redor estava pesado, como se o próprio Inferno tivesse se tornado mais opressor desde seu encontro com a mulher misteriosa.

 

Ele se levantou devagar, ainda sentindo os efeitos do estranho poder que o havia paralisado. As palavras dela ecoavam em sua mente: "Bem-vindo ao Inferno". Aquelas palavras não eram apenas uma saudação, mas uma promessa sombria de que as coisas ficariam muito piores.

 

Uriel olhou ao redor, tentando discernir alguma pista sobre onde estava, mas tudo parecia um borrão de trevas e sombras. O silêncio era profundo, como se até os gritos das almas atormentadas tivessem sido abafados.

 

Então, do nada, um som quebrou o silêncio. Tosse, tosse, tosse... Uriel não estava sozinho naquele ambiente. De repente, uma voz envelhecida soou:

 

— Vejo que acordou novato, hahaha — a voz misteriosa disse com um pouco de cansaço e loucura.

 

— Quem é você? E onde estou? — Uriel perguntou, tentando controlar o nervosismo.

 

— Onde mais, senão no Inferno? Hahaha! — A voz claramente zombava dele.

 

— Você sabe o que eu quis dizer, seu desgraçado! O que é este lugar? E por que fui trazido aqui?

 

Uriel já estava perdendo a paciência, cansado de não ter controle de nada.

 

— Hahaha, ok, garotinho, não fique bravo, hahaha. Você parece bem perdido. Deixe este veterano te ensinar. Você está no território do pecado da Inveja, governado por Emily. E quanto ao motivo de ter sido trazido aqui... hahaha, não está claro? Para ser um escravo, é claro, hahaha! Lutar pelo entretenimento dos nobres demônios pelo resto da sua vida.

 

Uriel congelou por um momento, tentando processar as palavras do velho. A tosse irritante e o riso zombeteiro reverberavam em seus ouvidos, como se cada som fosse uma afronta à sua já frágil sanidade. Ele olhou ao redor, tentando localizar a fonte da voz, até que viu, à sua esquerda, uma figura curvada e coberta por trapos rasgados. O rosto estava marcado por cicatrizes, e os olhos brilhavam com uma insanidade inquietante.

 

— Lutar pelo entretenimento dos nobres demônios? — Uriel repetiu, tentando controlar o tom de sua voz, embora sua raiva estivesse prestes a explodir. — Isso é algum tipo de piada do Inferno?

 

O velho deu uma gargalhada seca e quase sem vida.

 

— Piada? Não, garoto, isso é sua nova realidade. Aqui, você é um brinquedo, um peão, como todos nós fomos em algum momento. O Inferno é um jogo, e os demônios adoram brincar com as almas corrompidas até que elas se tornem diabretes, a classe mais baixa dos demônios, úteis apenas para servir em seu exército. Eu ouvi alguns boatos de alguns que conseguiram se tornar demônios menos, mas pessoalmente nunca vi acontecer, para min não passam de lendas.

 

Uriel fechou os punhos com força. Escravo. A palavra pairava em sua mente, e a ideia de ser controlado e manipulado novamente despertava uma fúria que ele não conseguia suprimir.

 

— Eu não serei um escravo. Não mais — Uriel disse, com os dentes cerrados, a voz carregada de determinação.

 

O velho o observou por um longo momento antes de dar de ombros.

 

— Todos temos nossa bravura no início, garoto. Mas logo vai perceber que, neste lugar, não há escapatória.

 

Uriel deu um passo para longe do velho, o estômago revirando com cada palavra que ouvia. Não podia deixar que isso acontecesse. Não agora. Não depois de tudo o que havia enfrentado.

 

— Se tudo o que você diz é verdade, por que ainda está aqui? — Uriel perguntou, encarando-o com intensidade. — Por que você não desistiu? Porque não se mata?

 

O velho sorriu tristemente.

 

— Desisti há muito tempo, garoto. Mas sabe o que é engraçado? No Inferno, mesmo quando você desiste, não há fuga. Você continua... não importa o quanto queira parar.

 

Um silêncio desconfortável pairou entre os dois por alguns instantes. Uriel sabia que não havia uma resposta fácil para o que estava acontecendo, mas ele também sabia que não estava disposto a sucumbir.

 

— Diga-me o que fazer, então — Uriel pediu, relutante, mas consciente de que precisava de informações. — Se isso é o que me espera, como faço para sobreviver?

 

O velho deu de ombros.

 

— Sobreviver? Uma palavra peculiar por aqui. Mas o melhor conselho que posso te dar é o seguinte: não confie em ninguém. Nem mesmo em você. Esse lugar... ele mexe com sua cabeça. Ele muda você. Quanto mais você luta, mais ele te transforma.

 

Uriel assentiu lentamente.

 

— Isso, pelo menos, eu já aprendi.

 

O velho deu uma última risada antes de virar as costas e começar a se afastar, sua voz ecoando na escuridão.

 

— Boa sorte, novato. Vai precisar...

O velho se virou e foi embora em direção a escuridão.

— Espere eu ainda quero fazer mais algumas perguntas — Uriel gritou em direção ao velho, mas ele continuou em frente e desapareceu na escuridão.

A cada minuto que se passava Uriel tinha mais perguntas do que respostas, toda aquela situação fugia de sua compreensão.

 

Uriel ficou em silêncio por um momento, digerindo as últimas palavras do velho. A noção de se tornar um escravo no Inferno era insuportável. Ele já havia sido uma ferramenta nas mãos de Vincent, e não permitiria que o destino o forçasse a passar por isso de novo. Sobreviver não seria o bastante. Ele precisava descobrir um caminho para lutar, para resistir e, mais importante, para escapar e ter o controle do seu próprio destino.


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Autor da Obra: Felipe Ferreira

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