História Original: O Pecado Da Liberdade

O Pecado da Liberdade - Capitulo 2

Capitulo 2




 Bem vindo ao inferno

Caminhando pelo ambiente sombrio, Uriel procurava desesperadamente por algum ser "vivo" que pudesse lhe fornecer informações sobre aquele lugar amaldiçoado. O Inferno era um mistério para os seres humanos; o que se sabia era que os demônios torturavam as almas que ali chegavam, corrompendo-as até que perdessem o que restava de sua humanidade, renascendo como novos demônios. A personalidade de cada alma condenada influenciava o pecado que ela iria representar quando renascesse como um demônio.

Isso fazia sentido, afinal, os sete pecados eram emoções humanas intensificadas, que deram origem aos próprios demônios. O Inferno era governado por sete demônios supremos, cada um representando um pecado capital. Eles dividiram a maior parte do inferno em sete territórios com cada um governando uma parte. Uriel ainda não sabia, mas ele se encontrava no território do pecado da Inveja, a imperatriz das serpentes, Emily.

Uriel caminhava com cuidado pelo vasto e tenebroso terreno à sua frente. Cada passo parecia afundá-lo mais no desconhecido, enquanto ele procurava ansiosamente por algum sinal de vida – ou algo que ao menos pudesse lhe fornecer respostas.

Enquanto Uriel avançava, o ar ao seu redor parecia vibrar com uma energia sinistra. O céu, se é que se podia chamá-lo assim, era uma vastidão de sombras turvas e avermelhadas, sem um sol ou lua para guiar os passos de qualquer ser perdido. Tudo no Inferno emanava um peso opressivo, como se o próprio lugar estivesse vivo, observando cada movimento, esperando o momento certo para extrair aqueles que não pertenciam ali.

Por mais que a incerteza do desconhecido pesasse em seu peito, Uriel não tinha outra escolha senão continuar. Sua missão era clara, e falhar não era uma opção. As histórias sobre o domínio da Inveja circulavam entre os poucos que ousavam mencionar o nome de Emily. Diziam que seus domínios eram vastos como o oceano e traiçoeiros como a própria emoção que ela representava. Ninguém sabia ao certo o que encontraria ali, pois o território da Inveja era conhecido por se moldar aos mais profundos desejos e inseguranças das almas ali perdidas.

Uriel sentiu-se desconfortável. Não pelo ambiente em si, mas pela sensação de que algo nele estava mudando. Uma sensação crescente de inquietação brotava em sua mente, como se vozes sussurrassem na sua cabeça, alimentando uma angústia que ele não conseguia compreender totalmente.

De repente, uma figura se materializou à sua frente, saindo das sombras como um fantasma. Uma mulher, de pele pálida como a lua, olhos verdes intensos e cabelos longos que fluíam como uma correnteza negra. Ela o observava em silêncio, com um sorriso enigmático nos lábios. Uriel sabia, sem que precisasse de palavras, que estava em uma situação perigosa.

— Olha o que temos aqui, uma pequena alma corrompida. Está perdido, garotinho? — A voz da mulher era suave, mas carregava uma malícia que fez os músculos de Uriel se contraírem.

Ele manteve-se firme, tentando não demonstrar o turbilhão de emoções que começava a crescer dentro de si. Sabia que qualquer fraqueza poderia ser usada contra ele.

— Eu sou Uriel, e procuro respostas — respondeu, tentando manter a voz firme.

A mulher deu um passo à frente, seus olhos brilhando com diversão.

— Respostas? Há há há... Bem, talvez você as encontre logo, logo... — disse ela, andando lentamente em direção a Uriel.

— O que você quer dizer com isso? — perguntou Uriel, já entrando em posição de combate.

No instante seguinte, Uriel sentiu-se completamente paralisado. Ele não conseguia manipular sua aura para se defender. Estava completamente à mercê daquela mulher.

Enquanto Uriel estava imobilizado, a mulher misteriosa se aproximou lentamente dele, tão próxima que ele podia sentir sua respiração. Então, ela sussurrou lenta e sedutoramente em seu ouvido:

— Bem-vindo ao Inferno, garotinho.

Assim que ouviu isso, Uriel perdeu completamente a consciência.

 

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Autor da Obra: Felipe Ferreira

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