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História Original: O Pecado Da Liberdade
Postado por
Felipe Ferreira
em
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Escolha
Dentro de uma cela escura e úmida nas profundezas de
Thriller Bark, o garoto estava acorrentado à parede fria. Sua cabeça pendia
para baixo, o corpo cansado e dolorido. Ele havia tentado resistir, mas as
forças que o prendiam eram muito superiores às suas. A Moa Moa no Mi que ele
havia comido parecia ter um grande potencial, mas ele ainda não sabia como
controlá-la totalmente.
A porta da cela se abriu com um rangido lento. Passos
pesados ecoaram pelo corredor, e logo a imponente figura de Gecko Moria
apareceu à sua frente. O Shichibukai o observava com aquele sorriso malicioso,
sempre presente em seu rosto.
"Kishishishi... Então, o que você acha do seu primeiro
dia na minha humilde casa? É espetacular, não é? Kishishishi!"
O garoto levantou a cabeça com dificuldade, sua expressão
desafiadora apesar do cansaço evidente. "Por que não acaba logo com isso?
Eu sei que você rouba as sombras dos outros... vai me usar como a todos os
outros, não é?"
Moria soltou uma gargalhada estrondosa. "Kishishishi!
Tão rápido para aceitar a derrota. Mas você não entendeu ainda, garoto. Você
não tem valor para mim... pelo menos, não ainda." Ele se aproximou, seus
olhos brilhando com malícia. "Sua sombra é fraca, inútil para o que eu
procuro. Mas essa fruta... a Moa Moa no Mi. Isso, sim, é interessante."
O garoto estreitou os olhos, confuso. "O que você quer
dizer com isso?"
Moria cruzou os braços, olhando para ele com ar de
superioridade. "Kishishishi... Estou interessado em algo diferente da sua
sombra, por enquanto. Um garoto que ousou roubar uma Akuma no Mi e escapar de
piratas até chegar aqui mostra... potencial."
"Potencial?" O garoto repetiu, ainda sem entender
completamente a intenção de Moria.
"Sim, potencial. Agora você é fraco, sem utilidade. Mas
com o tempo, pode se tornar algo mais. Eu tenho planos, grandes planos. E
preciso de poderosos aliados para o futuro... para minha vingança."
O garoto se inclinou para frente, intrigado. "Vingança?
Contra quem?"
Moria ficou em silêncio por um momento, o sorriso em seu
rosto desaparecendo brevemente enquanto sua expressão endurecia.
"Kaidou," ele disse, sua voz grave. "A Besta. Aquele maldito me
humilhou no passado. Mas não por muito tempo. Um dia, eu o derrubarei... e,
para isso, preciso de guerreiros com habilidades excepcionais."
O garoto ficou surpreso. Nunca imaginou que Moria, um
Shichibukai, tivesse um ressentimento tão profundo contra um dos Yonkou. Mas
isso também abriu uma oportunidade.
"Então... você quer que eu lute por você? Contra
Kaidou?"
"Kishishishi! Lutar por mim? Não... você vai lutar comigo.
Mas isso só será possível quando estiver forte o suficiente. A Moa Moa no Mi
pode te tornar alguém valioso, se souber usá-la."
O garoto engoliu em seco, suas mãos ainda trêmulas. Ele não
dominava os poderes da Akuma no Mi, mas a promessa de Moria era tentadora. Além
disso, ele não tinha muitas opções. "E o que acontece até lá? Vai me
manter preso?"
Moria sorriu novamente, seu sorriso sinistro voltando ao
rosto. "Não. Vou treinar você, garoto. Ensinar a usar essa Akuma no Mi do
jeito certo. E, quando chegar a hora, você me ajudará a acabar com Kaidou.
Aceite minha oferta, e não só manterá sua sombra, mas ganhará um lugar ao meu
lado quando eu retomar o que é meu por direito."
O garoto hesitou por um momento, olhando para as correntes
que o prendiam. Ele sabia que não tinha escolha. Se recusasse, Moria o
descartaria como qualquer outro prisioneiro. Mas, se aceitasse, talvez pudesse
se tornar forte o suficiente para forjar seu próprio destino.
"Está bem. Eu aceito," disse ele, encarando Moria.
"Kishishishi! Sabia que você não iria me
decepcionar." Moria estalou os dedos, e as sombras que o mantinham preso
desapareceram. "Agora, levante-se. Sua verdadeira jornada começa
hoje."
No centro de Thriller Bark, em uma sala grande e ornamentada
por móveis antigos e luxuosos, Gecko Moria caminhava com o garoto a seu lado.
As paredes estavam cobertas por cortinas pesadas, e a luz fraca das velas
lançava sombras dançantes pelo ambiente. O garoto, ainda hesitante, observava
tudo ao redor, tentando entender o que viria a seguir.
A tripulação de Moria estava reunida. Perona estava sentada
em uma grande poltrona, suas pernas cruzadas e uma expressão desinteressada...
até que seus olhos caíram sobre o garoto. Ela ergueu uma sobrancelha, seu habitual
olhar de tédio dando lugar a um brilho curioso.
"Tripulação," começou Moria, com sua voz grave
ecoando pela sala, "este é nosso mais novo recruta. Ele ainda não tem
valor agora, mas com o tempo, se tornará uma peça importante em meus
planos."
Os zumbis e membros da tripulação acenaram, já acostumados
com as decisões de seu capitão, mas não demonstraram muito entusiasmo. Para
eles, o garoto parecia apenas mais um prisioneiro potencial. No entanto,
Perona, sempre atenta a novidades que quebrassem sua rotina, olhou-o de cima a
baixo e sorriu maliciosamente.
"Que fofo," disse ela em um tom arrastado,
inclinando a cabeça levemente para o lado. "Ele vai ser um bom
brinquedinho."
O garoto ficou visivelmente desconfortável com o comentário.
Seus olhos se encontraram com os de Perona por um breve momento, e ele percebeu
algo que o deixou inquieto. A garota de cabelo rosa e estilo gótico parecia ser
cheia de caprichos perigosos.
Moria, indiferente ao comentário, apenas riu.
"Kishishishi! Perona, faça o que quiser com ele, desde que ele aprenda a
se fortalecer. Esse garoto tem uma Akuma no Mi poderosa e será útil para todos
nós, um dia."
Perona se levantou da poltrona, seus enormes ursinhos
fantasmas flutuando ao redor enquanto se aproximava do garoto. Ela o estudava
de perto, seus olhos brilhando de diversão. "Como você se chama?"
perguntou, com uma voz doce, mas com um subtexto perigoso.
O garoto hesitou por um segundo antes de responder, ciente
de que qualquer movimento errado poderia piorar sua situação. "Meu nome é
Tsuna."
Perona sorriu ainda mais. "Tsuna, huh? Que nome
bonitinho. Espero que não se importe de me fazer companhia de vez em quando.
Afinal, Moria-sama te colocou sob nossa proteção... e eu gosto de cuidar dos
meus brinquedos."
Tsuna engoliu seco, sentindo-se encurralado. Ele havia
escapado de piratas, enfrentado Moria, mas agora estava nas mãos de uma garota
que via nele um "brinquedo" para se divertir.
"Kishishishi! Não se preocupe, garoto," Moria
disse, satisfeito com a cena, "Perona vai cuidar bem de você. E quem sabe?
Talvez um dia você tenha força suficiente para ser mais do que um
brinquedinho."
Perona riu, seus fantasmas flutuando ao redor do garoto,
enquanto ela voltava para sua poltrona com um sorriso travesso no rosto. Tsuna
percebeu que, de todos os desafios que enfrentou até agora, sobreviver ao
capricho de Perona poderia ser o mais complicado.
Autor: Felipe Ferreira
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