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História Original: O Pecado Da Liberdade
Postado por
Felipe Ferreira
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Astaroth
"Não…"
Gotas de sangue caiam no chão de cerâmica, quebrando o
silêncio que dominava o ambiente.
Um corpo masculino estava caído ali, deitado no chão. As
mãos em volta da própria garganta, os olhos arregalados com uma expressão de
surpresa, como se não acreditasse no que havia acontecido.
O sangue vinha de um sabre com um brilho prateado. Segurando
a arma, estava um jovem de cabelos negros e olhos prateados. Ele estava sem
roupas, segurando o sabre e olhando calmamente para o corpo à sua frente, com
um leve sorriso no rosto.
O cheiro de sangue enchia o ar, mas ele parecia indiferente.
Perto dali, uma jovem também estava de joelhos, sem roupas, sua boca ainda
úmida com vestígios do que acontecera.
Seus olhos estavam arregalados, ainda surpresos, e com
lágrimas prestes a se formar. Ela parecia incapaz de aceitar o que tinha
acontecido, como se estivesse presa em um sonho ruim do qual não conseguia
acordar.
"Querido...” Suas palavras saíam carregadas de tristeza
e confusão. Sua mente parecia perdida, tentando entender o que estava
acontecendo. Lembranças antigas e recentes passaram por sua cabeça, trazendo um
sentimento de desespero.
Ela se lembrou de quando se conheceram. Naquele outono, durante
as seleções da seita, ele tinha uma qualidade que a atraía. Apesar de modesto,
havia algo nele que despertava sua atenção. Com determinação, ele aumentou seu nível
de força e influencia dentro da seita e
mais tarde, conquistou ate mesmo seu coração.
Tudo parecia perfeito quando estavam juntos, mas então as
coisas começaram a desmoronar.
Uma seita rival, mais poderosa que a dela, usou várias
justificativas para iniciar uma guerra. O resultado foi devastador: os recursos
de sua seita foram tomados e muitos de seus amigos e colegas de seita foram
mortos, capturados ou forçados a fugir.
Ela e Fley, seu grande amor, conseguiram escapar após a
queda de sua seita. Ele havia derrotado muitos inimigos, escapado de várias
perseguições e sobrevivido. Até que...
Seus olhos se voltaram para o jovem à sua frente. Ele tinha
cabelos negros e longos, e seus olhos prateados brilhavam com uma frieza que
parecia afastar qualquer sombra. Esse jovem era um dos principais discípulos da
seita inimiga, e ele a havia capturado junto com outros de sua seita.
Agora, capturada, ela sabia que seu destino não estava mais
em suas mãos. Era a tragédia de um inimigo derrotado, de alguém fraco, e, sendo
mulher, sabia que as coisas seriam ainda piores. Mesmo assim, ela confiava de
todo o coração que Fley viria para salvá-la.
Ela acreditava nele.
E continuou acreditando.
Como esperado, ele apareceu, com toda a coragem e
determinação, pronto para lutar por ela. Por um momento, ela sentiu uma
esperança, uma felicidade sem precedentes a encheu.
Então, tudo mudou com um golpe de espada.
O jovem à sua frente sorriu levemente, olhando para ela como
se não tivesse acabado de tirar a vida de seu marido.
"Pode continuar," ele disse calmamente.
As palavras dele a fizeram estremecer, trazendo de volta o
gosto amargo que ela havia tentado esquecer. Memórias desagradáveis invadiram
sua mente, lembranças do que ela teve que fazer para sobreviver.
Ela sabia que precisava ganhar tempo, mesmo que isso
significasse tomar decisões difíceis. O ódio brilhou em seus olhos,
incontrolável e intenso. Uma vontade de vingança nasceu dentro dela, uma
determinação de lutar por seu irmão mais velho, custasse o que custasse.
Mas, ao encarar o brilho da espada, sua coragem desapareceu
rapidamente. A realidade veio à tona: com o nível de poder que tinha, qualquer
tentativa de ataque seria inútil, e ela sabia que não teria chance.
No entanto, ao olhar para o jovem à sua frente, uma ideia
passou por sua cabeça. Ele parecia confiante, e ela percebeu que talvez pudesse
causar dor de outra maneira. Sabendo que seu destino estava selado, ela decidiu
agir impulsivamente, buscando causar o maior sofrimento possível.
Ela se preparou para atacar, mas antes que pudesse avançar,
uma luz prateada brilhou diante de seus olhos. Em um instante, tudo acabou. Sua
cabeça caiu no chão com um som surdo, e sua vida terminou ali, sem que pudesse
realizar sua vingança.
O corpo rolou lentamente até parar, com os olhos mortos de
ódio voltados para o cadáver de de seu marido.
"Pelo menos na morte, vocês dois estarão juntos,"
murmurou o jovem de olhos prateados, balançando a espada para limpar o sangue
da lâmina, que ficou novamente brilhante.
" Astaroth, você está pronto?" A voz
suave e melodiosa de um homem ecoou pelo salão. Ele tinha músculos definidos,
pele bronzeada e usava uma veste feita de peles vermelhas.
Astaroth, impaciente, virou-se para encarar o recém-chegado.
Apesar da suavidade da voz e de suas características quase femininas, havia uma
masculinidade inegável naquela figura.
Com um leve resmungo, ele comentou: "Parece que você ficou
mais forte." Ele então fez um gesto com a mão, e um manto escarlate surgiu
de seu anel de armazenamento. Vestiu-se calmamente, sem pressa.
As roupas escarlates tinham as cores e insígnias de sua
seita. Nas costas, um lobo negro lendário se erguia em uma montanha, suas
garras prontas para atacar, com olhos ferozes e cheios de agressividade.
"Esta com inveja?" o homem de voz feminina
provocou com um sorriso, soltando uma risada calorosa.
"Inveja? Nem um pouco," respondeu Astaroth, rindo,
como se achasse a provocação divertida. Então, como se lembrasse de algo, ele
olhou para o cadáver do jovem de garganta cortada. "Ripley, você precisava
mesmo trazê-lo até aqui? Não é como se ele fosse capaz de me matar."
Ripley franziu levemente a testa, deixando transparecer uma
sombra de decepção antes de recuperar sua expressão neutra. "Eu não sabia
que ele tinha conseguido passar pelo cerco. Ele usou algum truque para passar
pelas defesas e chegar até você. Só percebi quando senti uma energia diferente
da sua se elevando ," respondeu, sem muita convicção.
Astaroth não parecia se importar com a desculpa. "Você
será punido pela negligência. Limpe isso." Com essa ordem, ele começou a
caminhar em direção à saída por onde Ripley havia entrado.
"Claro," disse Ripley com um respeito superficial.
A punição por negligência era apenas uma leve redução de recursos, nada muito
sério. Ele queria terminar logo e começou a se mover.
Quando Astaroth passou por ele, seus olhos brilharam com uma
intenção sombria e perigosa.
De repente, Ripley sentiu uma onda de alerta, uma sensação
de perigo mortal que ele não esperava naquele momento. Quando tentou reagir, já
era tarde demais: uma lâmina havia atravessado sua têmpora, atingindo seu
cérebro. Pensamentos e arrependimentos passaram por sua mente em seus últimos
momentos, mas tudo foi em vão.
O corpo de Ripley caiu no chão, a cabeça em uma confusão
irreconhecível de sangue. Astaroth soltou um suspiro e, com desdém, cuspiu no
cadáver. "Você estragou minha diversão. Não tinha mais razão para
continuar vivo."
Com uma postura tranquila, ele saiu e encontrou os guardas
do lado de fora de seus aposentos. Observou os homens com calma, memorizando
seus rostos. "O discípulo Ripley foi morto por um ataque furtivo de um
intruso. Eu matei o invasor. Limpem tudo, e eu vou informar a seita."
Os guardas ficaram surpresos com a notícia. Embora não
esperassem que Astaroth fosse derrotado, a morte de Ripley os pegou de
surpresa. Um frio atravessou seus corações, pois sentiram que uma ameaça maior
pairava sobre eles.
Era outono. As folhas das árvores começavam a mudar de cor,
flutuando no vento como se dançassem. O ar estava preenchido com um aroma
fresco, e as cores variavam entre vermelho, amarelo, roxo, preto, azul,
laranja, magenta e marrom.
Sentado calmamente em um galho alto e robusto, Astaroth observava
os arredores. Um acampamento havia sido montado nas proximidades, onde homens e
mulheres de diferentes idades e aparências estavam reunidos. Todos vestiam
trajes roxos, com o símbolo de uma lua crescente em suas roupas.
Ninguém no acampamento parecia perceber sua presença,
enquanto ele ficava perdido em pensamentos.
"O último acampamento..." murmurou com desdém. Sua
seita, a Seita Solaris Escarlate, cujo símbolo era o Lobo Terrível Lendário,
havia declarado guerra contra a Seita da Lua Violeta. Os motivos oficiais para
a guerra eram muitos, mas Astaroth sabia
a verdade.
Era tudo por causa de uma mulher.
Ela era uma figura especial e extraordinária, descendente do
Líder da Seita da Lua Violeta. Não sabia ao certo se ela era irmã, sobrinha ou
neta dele, mas eram parentes. Com grande talento natural e uma beleza
encantadora, ela tinha uma presença impressionante. Contudo, em um mundo onde
os fortes sempre tiram dos mais fracos, uma mulher tão bela e talentosa
inevitavelmente despertaria inveja e desejo.
O destino dela agora?
Astaroth sabia que ela já havia sido capturada e oferecida
ao jovem lorde de sua seita como um "presente". Seu futuro seria o de
uma prisioneira, usada como bem entendessem.
Olhando para o céu claro e azul, Astaroth balançou a cabeça
com um ar de pena nos olhos. "Ela está sendo desperdiçada com aquele
idiota. Se estivesse comigo..." Um sorriso frio e insensível surgiu em
seus lábios, enquanto um brilho sombrio e cruel passava por seus olhos. Ele
lambeu os lábios e estendeu a mão.
Com uma leve aceno de mão, uma maçã vermelha perfeita
apareceu em sua palma.
Crunch!
Ele deu uma mordida forte na maçã, mastigando sem pressa. No
acampamento, os guardas ficaram imediatamente alertas. Alguns olharam em sua
direção com os olhos arregalados, reconhecendo o manto escarlate que assombrava
seus pesadelos.
Astaroth sorriu divertidamente.
"Olá," disse ele casualmente.
"INIMIGO! INIMIGO!" gritou o guarda mais atento,
correndo em uma rota de fuga predefinida, como se sua única função fosse
alertar os outros. Sua rapidez de pensamento era notável.
"Esperto," comentou Astaroth, admirando a reação
rapida do homem. "Mate aqueles que resistirem. Capture o resto." Ao
contrário do grito do guarda, sua voz era calma e controlada, quase casual.
Agite! Agite! Agite!
Listras escarlates surgiram dos arredores, cercando o
acampamento. Os membros da seita de Astaroth avançaram como lobos implacáveis
sobre sua presa. Empunhando sabres e espadas, atacaram com precisão letal.
Os que representavam qualquer ameaça foram rapidamente
eliminados, e o sangue tingiu as folhas de outono de vermelho.
Astaroth observava a cena, o sangue jorrando, os gritos de
dor e desespero enchendo o ar. Para ele, havia algo estranhamente... fascinante
naquilo tudo.
"Hum?"
Uma coisa fora do comum chamou a atenção de Astaroth. Na
extremidade mais distante do acampamento, havia uma grande gaiola cúbica, com
cerca de cinco metros de cada lado. Parecia que os cultivadores, fracos e sem
importância, haviam trazido a gaiola até ali. Como líder e comandante da
equipe, ele não sentiu a necessidade de se envolver no caos do massacre ao
redor.
Jogando a maçã pela metade de lado, ele saltou adiante com
calma, caminhando pelo campo de batalha com desinteresse. Seus subordinados
eram eficientes, caçando os últimos sobreviventes sem precisar de sua
intervenção.
"Ajude-me!" Uma jovem, aparentando pouco mais de
vinte anos, avistou Wei Wuyin se aproximando. Percebendo que correr seria
inútil, ela decidiu buscar uma alternativa de sobrevivência, lançando-se aos
pés dele. Antes que pudesse falar mais alguma coisa, várias lâminas foram
rapidamente direcionadas ao seu corpo, emanando uma ameaça mortal.
Ela gritou.
Astaroth franziu a testa e, com um gesto de mão, interrompeu
o ataque no último momento. A lâmina mais distante havia quase perfurado a
garota, mas seu comando fez com que os atacantes parassem de imediato. A
portadora da lâmina era outra mulher, de olhar frio e impassível. Os demais
também suspenderam seus movimentos, esperando em silêncio.
Astaroth olhou para a jovem caída aos seus pés e, com um
leve sorriso, agachou-se. Ele estendeu a mão, e uma maçã vermelha e madura
apareceu em sua palma.
"você quer viver?" ele perguntou tranquilamente.
Assustada, a jovem foi trazida de volta à realidade por um
grito súbito e a visão de uma cabeça rolando a poucos metros dela. O choque a
fez desviar o olhar, e seu coração apertou com medo.
Seria esse o destino dela também?
Ela hesitou, mas, decidida, assentiu para Astaroth.
Desespero e esperança brilharam em seus olhos. Estendendo a mão, agarrou as mãos
dele sabendo que essa era a sua única oportunidade de sobreviver.
"Mn. Mantenha-a viva," ordenou Astaroth, e os
outros assentiram. A mulher que estava ao lado dela, com uma expressão
indiferente, atingiu a parte de trás da cabeça da jovem antes que ela pudesse
agradecer, fazendo-a desmaiar. Com um leve movimento, a mulher a carregou pelo
ombro e seguiu em frente.
Os outros membros da seita fizeram uma breve reverência e
continuaram a capturar ou eliminar os sobreviventes. Astaroth, por sua vez,
ignorou tudo isso e caminhou em direção à gaiola cúbica.
A gaiola estava enferrujada, com uma única entrada
deslizante e uma janela do tamanho de uma bola de beisebol. Essa janela deixava
entrar a pouca luz solar e o oxigênio que restava. Ao tocar a gaiola, ele
sentiu a frieza do metal em seus dedos e ficou surpreso.
"Aço de gelo?" Astaroth reconheceu o material. O
aço de gelo era peculiar e intrigante. Não importava se era verão ou outono;
ele mantinha uma temperatura baixa constante. Mesmo em um fogo normal, ele
permanecia inalterado. Somente uma chama extremamente intensa, superior ao
ponto de fusão do aço comum, poderia moldá-lo.
Ele franziu a testa. Imaginar o que poderia existir dentro
de uma gaiola feita desse material o intrigava. Para que um grupo tão
desamparado precisasse de uma gaiola como aquela?
Sem hesitar, ele agarrou a alça da gaiola e deslizou para
abrir a entrada. A escuridão parecia impregnar o interior, e ao respirar, um
vapor gelado surgiu.
"Frio..." comentou ele. Ao entrar, observou os
arredores com curiosidade. A gaiola era pequena, mal cabendo seu corpo, mas,
estranhamente, parecia ampla.
"Aaah!" Um grito agudo o surpreendeu, fazendo seu
corpo se virar instintivamente, enquanto sua lâmina cortava o ar frio sem
encontrar resistência.
Antes que pudesse reagir, sentiu uma presença atrás dele.
Uma dor aguda irrompeu em seu pescoço, e seus olhos se arregalaram de choque. Com
um rugido, uma explosão de energia espiritual emanou de seu corpo, criando uma
onda que expulsou o atacante.
Uma sombra negra colidiu com a gaiola, o som nauseante de
ossos quebrados ecoou, mas nenhum grito de dor foi ouvido. Uma sensação ardente
se espalhou pelo seu pescoço, fazendo-o estremecer levemente e liberar impulsos
violentos.
Segurando o pescoço, Astaroth se virou e apontou sua espada
em direção ao inimigo, com raiva transbordando em seus olhos, a intenção de
matar se formando em seu ser.
Então, ele viu: era um homem. Um jovem, não muito mais velho
que ele, provavelmente na casa dos vinte anos. Seu corpo estava extremamente
magro, quase desnutrido. Os olhos escuros estavam fundos e seu cabelo prateado
era longo, desgrenhado e sujo.
Ele não usava roupas, suportando a fria temperatura do aço
de gelo apenas com seu corpo exposto. Sua pele era áspera, com um aspecto
enrugado e congelado. Astaroth percebeu que o jovem também havia sido
torturado, com marcas, cortes e hematomas formando um padrão de estragos em sua
carne.
A risada maníaca desviou Astaroth de sua fúria, despertando
sua curiosidade. Apertando o ferimento em seu pescoço, ele estreitou os olhos.
"Por que você está aqui?" perguntou ele.
"Por que você está aqui?" O jovem respondeu com
uma voz rouca e cheia de uma insanidade palpável, como se estivesse à beira da
loucura.
Astaroth, sem hesitar, desferiu um chute. Seus movimentos
eram rápidos como o vento, e sua perna atingiu a cabeça do jovem. O som
nauseante da carne se chocando contra o osso ecoou, enquanto a cabeça do jovem
recuava violentamente, batendo pesadamente contra a estrutura de aço congelado
da gaiola.
Estrondo!
"Por que você está aqui?" Astaroth questionou
novamente, sua paciência se esgotando.
O jovem, atordoado e quase inconsciente, não conseguiu
articular uma resposta.
Estrondo!
Astaroth chutou mais uma vez.
"Por que você está aqui?"
Desta vez, após recuperar o equilíbrio, o jovem olhou para Astaroth
com um semblante claro e são, apesar do sangue que escorria de sua cabeça. Seus
olhos refletiam a sabedoria de um estudioso que percorreu longas distâncias e
leu incontáveis livros.
"Oh?" O interesse de Astaroth foi despertado. O
sujeito parece ter recuperado algum senso após o golpe.
"Você é bom ou é mau?" O jovem falou, sua voz
suave, mas carregada de poder. Era uma mudança drástica em relação à sua
resposta anterior. Astaroth franziu a testa, mas respondeu sem hesitação.
"Bom ou mau? Você é uma criança?" A pergunta
parecia absurda, mais adequada a discussões filosóficas ou contos infantis do
que ao mundo real, onde todo o que existia eram
os fortes devorando os fracos .Ele estava prestes a desferir outro
chute, esperando que mais um impacto ajudasse, mas o jovem sorriu e assentiu
levemente, fazendo-o hesitar.
"Bom. Mal. Moral. Imoral. Neste mundo, o Bem é
recompensado com sorte cármica. O Mal, por outro lado, recebe o peso do pecado
infernal. A moralidade é a balança justa, enquanto a imoralidade é condenada.
Vivemos em um mundo onde o forte caça o fraco; o fraco é visto como mau e
imoral, enquanto o forte é considerado bom e moral."
"Na minha vida, não cometi nenhum erro, mas fui
considerado errado. Então, eu era bom ou mau?" Uma profunda relutância
permeava suas palavras.
Astaroth balançou a cabeça. O prisioneiro claramente havia
perdido a razão, e a pergunta que pairava era: por que ele deveria continuar
vivo? Com a espada em mãos, ele apontou para o jovem. Hoje, sentia-se
misericordioso, então decidiu que a morte seria apenas um pouco dolorosa.
"Não!" O jovem gritou com ferocidade. "Eu era
apenas fraco. Essa é a maior fonte de pecado, mas também a maior fonte de
sorte!"
Astaroth ignorou seu clamor, cravando a espada no ombro
emaciado do jovem. Uma névoa sanguinolenta e um líquido carmesim jorraram, mas
o jovem não reagiu, nem gritou de dor. Seus olhos estavam claros e fortes, sua
expressão imperturbável.
"Renasça no pecado, roube a sorte cármica. Eu serei a
causa cármica, você será o efeito cármico!" O jovem proclamou, com
convicção. Em resposta, Astaroth o perfurou no abdômen, atravessando-o com a
espada.
"Bobagem," Astaroth disparou, sua voz fria como o
aço. "Se você deseja renascer, eu o enviarei para reencarnar um pouco mais
cedo. Diga olá para a Velha Senhora Judy por mim." Ele retirou a lâmina e
a colocou contra o pescoço do jovem, indiferente à insanidade que se
desenrolava diante dele.
"Eu. Vi meu pecado. Eu. Vi meu carma. Você...
renascerá—" A frase foi interrompida por uma linha de sangue que se formou
em sua garganta, selando suas palavras. O baque suave da cabeça do jovem
batendo contra o chão da gaiola ecoou.
"Inútil," Astaroth disse, cuspindo com desdém. Com
isso, ele se afastou, saindo para o calor escaldante do outono. Seus olhos se
estreitaram enquanto segurava o pescoço, um fio de sangue escorrendo entre os
dedos. Ele observou o massacre à sua frente se desenrolar.
Sabia que a situação estava alcançando seu clímax e,
estranhamente, sentiu-se aliviado. Havia uma sensação de cansaço anormal, um
desejo de retornar à seita às pressas.
Fechando os olhos, ele respirou fundo e exalou.
Uma tênue luz vermelha, mais brilhante que sangue, brilhou
brevemente em seu ferimento no pescoço.
Comentários
Muito bom
ResponderExcluirele fez eu o que pensei que fez?
ResponderExcluirum bom começol
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